Pirataria: promoção ou degradação?

28 10 2007
por Yin Yang

Aqui no Brasil (talvez tenha alguma pessoa de fora que veja isso, por isso a indicação do país) a um certo tempo começou uma discussão sobre produtos piratas, por causa do ocorrido com um filme nacional.

O filme “tropa de elite”, que eu recomendo ver, teve uma cópia retirada da ilha de edição e distribuída pela internet. Obviamente isso levou ao filme estar nas mãos dos “shoppings alternativos” de todo o país antes mesmo do filme ter sido lançado no cinema.

Eu, pessoalmente, preferi ver o filme no cinema, mas quando fui vê-lo, muita gente já tinha visto ele nessa versão que “vazou”.

Mas o que eu quero discutir aqui não é isso, e muito menos que pirataria é algo ilegal, que pelas leis é, mas sim de como essa cópia pirata tornou o filme conhecido, e como se tornou um hit aqui. Ao meu ver, essa cópia fez mais bem ao filme que mau, pois antes da cópia pirata ter sido “lançada”, ninguém sabia direito sobre o filme, e mesmo com toda propaganda que seria aplicada ao filme, eu DUVIDO que o filme chegaria a ter tantas salas de cienma apresentando o filme, assim como não haveria tanta gente vendo o filme no cinema. Seria mais um daqueles filmes brasileiros que poucos viram e outros iriam descobrir ao acaso.

Tá… mas aí vc deve estar pensando: o que isso tem haver com a minha área?

Tudo! Os softwares são um dos maiores mercados de produtos piratas no mundo todo. As empresas dizem que perdem milhões de dólares com a pirataria, e eu concordaria com essa visão se eu fosse ingênuo o suficiente para acreditar que se não fosse as cópias piratas o produto não seria tão conhecido, e assim não venderia nem metade do que já vende. A verdade é que quanto mais pessoas conhecerem o software, mais facilmente ele será comprado posteriormente, principalmente pelas maiores compradoras de software original: as empresas.

Vou tomar como exemplo o sistema operacional (SO). Vivemos hoje em dia uma hegemonia do windows (não vou citar modelo) para o uso de computadores pessoais. Se metade dos usuários tiver o SO original é MUITO!

Agora vamos imaginar que num mundinho perfeito ninguém conseguisse burlar as seguranças impostas aos softwares…. acha que essa hegemonia ainda existiria? Vamos imaginar ainda que todos os preços cobrados são cerca de 20% mais baratos que os realmente cobrados, pois a industria de software diz que a culpa dos preços estarem altos é da pirataria.

O preço do windows vista home basic ( versão mais nova do software, porém a mais básica) custa R$350,00 – com os 20% fica por R$280,00. Já o windows vista ultimate ( a versão completa, com todos os recursos) sai por R$860,00 – com os 20% fica por R$688,00.

Oras, sabemos que o salário mínimo (SM) no país esta valendo R$380,00, então o valor do SO mais BARATO é cerca de 73,68% do valor do SM. Já a versão completona é 2,26 vezes o valor do SM!

Com esses valores, se o linux ainda fosse distribuido de maneira gratuíta, qual dos SO estaria como homogenia hj em dia? O Brasileiro já paga relativamente caro por um computador, imagina se tivesse que pagar ainda esses valores pelo SO. Lógico que isso não fica apenas no sistema operacional, muitos dos programas que utilizamos ficariam na mesma lógica, como o photoshop e corel draw. Versão free, opensource ou mais baratas, que mesmo que não tivessem todos os recursos, estariam com mais pessoas utilizando do que as versões pagas.

Com isso tudo, o que aconteceria? Como certos softwares se tornariam usados apenas em certos redutos, diminuiria consideravelmente a popularidade do software, o que levaria a muitas empresas a procurar a versão mais utilizada do software para utilizar na empresa mesmo, por causa da baixa necessidade de ensinar seus trabalhadores a utilizar o mesmo. Com isso, vemos um ciclo vicioso que deveria ser prejudicial ás essas empresas, que provavelmente teriam de baixar seus preços, criar versões menos custosas, e ainda assim investir valores absurdos em marketing para conseguir pegar um nicho maior de consumidores e tentar mudar o ciclo para o seu produto.

Com isso, eu vejo que os softwares piratas servem como uma propaganda e uma maneira de aumentar a quantidade de pessoas a utilizar o software. Logo, o valor que “poucos” pagam pelo absurdo de utilizar um software original, vem embutido junto com a necessidade de as cópias piratas existirem para disseminar o uso do mesmo. O que me deixa concluir que as empresas de software reclamam de barriga cheia, afinal quanto mais gente utilizar sua ferramenta mais mercado real ela tem. Oras, se isso não é uma promoção do produto, eu vou ter de rever meus conceitos!

Mas como tentar mudar essa situação? Primeiro seria baratear o valor final, mas isso NENHUMA empresa está afim…. então uma alternativa seria liberar licensas para escolas, universidades e alguns pontos de concetração de uso de computadores para conseguir assim fazer o usuário se tornar intimo da ferramenta. Isso já é feito em alguns casos, mas mesmo assim a grande maioria vai atrás da copia pirata por causa do preço abusivo… o que faz voltar ao primeiro caso… é, não dei um bom exemplo.

Talvez o único modo seria o software estiver mesmo ao alcance financeiro de todos, mas não consigo ver isso ocorrer por estas bandas. Então, que as empresas rezem para que os crackers continuem a quebrar seus códigos de segurança para assim manter seus softwares populares.

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